IGREJA DE PARANGABA


  PARÓQUIA DE BOM JESUS DOS AFLITOS


  HISTÓRIA





   Porangaba, vila de Arronches, Parangaba. Três nomes, um só lugar que encerra nas suas tradições e memórias do tempo da colonização portuguesa em 1603. Porangaba ou Parangaba, no (tupi-guarani significa bela, formosura), situada nas margens da lagoa do mesmo nome, foi um dos mais antigos povoados do Ceará, o chamado aldeamento indígena de Porangaba, que os jesuítas fundaram no século XVI. A vila foi criada a 26 de Maio de 1758 e inaugurada em 25 de Outubro de 1759, passando a ser chamada de Arronches (Vila de Arronches). Durante o Império foi município com intendente e câmara, ao longo de 112 anos divido em dois períodos: de 1759 a 1835 e de 1885 a 1921. Anexada a Fortaleza, integra um dos seus mais importantes distritos. Na sua área predomina o verde, com seus seculares mangueirais, o clima nostálgico, a lagoa paisagística e alguns prédios históricos, como o edifício da antiga Prefeitura Distrital, Casas Paroquiais e a centenária casa da família Pedra, pioneira na industria da panificação. É ainda na área da Parangaba que se situa o mais antigo cemitério de Fortaleza.

   Foi nestas terras cearenses que os Padres da Companhia de Jesus em 1607 deram início ao trabalho de evangelização das populações indígenas. Conta que, no decorrer de grande seca no sertão o Padre Francisco Pinto, homem místico a quem os nativos chamavam Pai Pina ou Amanaiara(Senhor das chuvas), ajoelhando-se e acenou ao céu fazendo uma oração pedindo chuva. A oração foi atendida e ele passou a ser muito querido entres os nativos. Ao que parece ele teria usado o símbolo de uma coroa de espinhos para levar mensagem evangélica aos indígenas destas terras. Saía em procissão de aldeia em aldeia, falando de Cristo. O bom Jesus dos Aflitos e convidando a todos para as celebrações do nascimento de Jesus, que tinha lugar pelo Natal.

   Em 1608, um grupo de índios chamados Tucujus, inimigos dos portugueses, mataram o Padre Francisco Pinto na Serra da Ibiapaba. Os seus restos mortais foram sepultados pelo padre Luiz figueira, no sopé daquela serra.

   Mais tarde quado em 1612 houve uma grande estiagem, os potiguaras não tiveram receio de trazer para sua aldeia os ossos do Pai Pina que seria um amuleto contra a seca.

    Também neste mesmo ano veio para o Ceará, Martins Soares Moreno, que permaneceu até 1631. Dizem que durante a sua passagem por estas terras, viveu pacificamente com os índios e fez profundas amizades com um índio de nome Jacaúna.
   Depois de um longo período sem catequese, apenas em 1694, chegam os Padres Manuel Pedroso Junior e Ascenso  Gago  para retomar o trabalho das missões.

   Em 1758 por ordem régia decretada em Lisboa, o Marquês de Pombal, decretou a extinção da Companhia de Jesus, acabando os Jesuítas da extinta companhia responsável pela missão da Porangaba, por serem expulsos para Pernambuco, com destino às masmorras de Portugal, tendo a sua aldeia transformada em vila.  Em 1758 guiado pelo Padre Antonio Coelho Cabral, a Missão do Bom Jesus da Porangaba é transferida para o local atual e passa a se chamar Vila Nova de Arronches, sob invocação de Nossa Senhora das Maravilhas, em homenagem à antiga Vila de Arronches existente em Portugal. Nome que manteve até 01 de Janeiro de 1944, quando o decreto-lei 1114 de 30 de Dezembro 1943, voltou a adotar o antigo nome do aldeamento do saudoso Pai Pina, nome um pouco modificado de Porangaba para Parangaba. A devoção destes povos ao Bom Jesus dos Aflitos vinha de longe e sempre foi muito forte. Por isso, ainda em 1759, fora ordenada que a vila dos Arronches, tivesse por padroeira, em lugar de N. S. das Maravilhas, O Bom Jesus.



   Ainda hoje é celebrada com pompa e regozijo a chegada dos caboclos, ou da coroa do Bom Jesus dos Aflitos, que se inicia no segundo Domingo de Setembro com a coroa que vai em peregrinação por diferentes lugares, só terminado no dia 06 de Janeiro, dia de Reis, com a colocação da coroa na imagem de Cristo Crucificado, na Igreja do Bom Jesus dos Afritos, existente na praça dos caboclos da Parangaba.


                                                                               João Morais Jornalista
 
 





 

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